Eu e a bola…

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Cada um tem na vida os desafios que precisa, não é? A mim calhou-me um miúdo que joga à bola! Logo, calha-me todos os fins-de-semana ir ver jogos… Se alguém me tivesse dito uma coisas destas há uns anos, juraria que seria impossível.

Hoje foi o primeiro jogo oficial do primeiro campeonato do Tomé. A equipa de que faz parte ganhou por 5 a 4. O Tomé foi capitão, marcou um penalty, assistiu outros golos, jogou o jogo todo e estava mesmo muito feliz no final…

TOMÉ: Gostei de tudo. De ser capitão, de marcar o penalty, de tudo.

CATARINA: Vi-te a dar ânimo a um colega que marcou auto-golo.

TOMÉ: Estive sempre consciente de que era o capitão da equipa e de que estava lá para ajudar todos.

É também aqui que ele me emociona. Na sua consciência. E na consciência que tem da consciência que tem.

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Ventos de mudança

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Chegou o 2º ciclo. Chegou o 2º ciclo e recebi em casa, ao final do dia, uma criança muito feliz.

A escola do Tomé tem um plano pedagógico novo, um projecto educativo para o 2º ciclo que promete fazer-nos questionar a escola como a conhecemos. Em 50% dos tempos lectivos as crianças estarão acompanhadas por 2 ou 3 professores, cruzando áreas; vão ter turmas mistas do 5º e do 6º ano; cada aluno poderá escolher o seu caminho, seguir os seus interesses; as avaliações serão propostas pela própria criança, cada um no seu ritmo…

Estas são algumas das premissas que nos foram apresentadas na reunião de pais. Bem sei que haverá dificuldades, que se terão de afinar procedimentos, mas este vento de mudança agrada-me tanto!  Saber que o Tomé poderá usufruir desta experiência, que tem ainda 2 anos para aprender a brincar e brincar a aprender, como tem feito até agora, deixa-me de coração cheio!

Ele chegou a casa muito feliz, mesmo não tendo noção real do que irá vivenciar. Ele não sabe como costuma ser o 5º ano!

“Catarina, foi tudo completamente diferente do 1º ciclo… Tudo bué fixe! O meu grupo de trabalho é o x, o y, o z… A directora de turma é a Sandra. A Carla de Ciências… Ah e o Pedro…  Adorei o Pedro! Adorei tudo! Só me aptece olhar para este horário, compreender cada aula, como os professores se misturam…”

Não consegui parar. Contou mil e uma coisas mais e no final perguntou:

“E tu, o que fizeste hoje? “

A melhor professora do mundo

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Numa reunião qualquer do primeiro ciclo tirei esta foto. Vemos a a melhor professora do mundo e um cartaz a anunciar isso mesmo… (Maldito erro ortográfico!)

Não é apenas o cartaz que me diz que foste a melhor professora do mundo… Foram também as horas de reuniões em que me contaste mil histórias vossas. E a alegria que ele trouxe para casa tantos e tantos dias ao longo de 4 anos. E os litros de lágrimas que derramou (derramámos) na festa de despedida. Ele, eu, todos os outros meninos e muitos dos outros pais.

Amanhã receberá o diploma da 4ª classe, do fim do primeiro ciclo. Das tuas mãos. E lá vamos todos chorar mais um bocadinho… Novo ciclo se inicia onde tenho a certeza que será muito feliz.

E como eu também tive a melhor professora do mundo na escola primária, sei que tu és a melhor professora que o Tomé poderia ter tido. Obrigada!

Festa da Liberdade

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Dizia a minha mãe há dias na Festa do Avante que eu gostava muito de ir à Festa quando era miúda. Que comecei a ir sozinha e a andar à solta muito cedo… Expliquei-lhe que ainda hoje gosto. A sensação que tenho é a mesma de quando era miúda e podia correr livremente exposições, concertos, teatro.

Nesta edição da Festa o Tomé deu os seus primeiros passos rumo a essa liberdade. Foi ver um concerto com outros amigos, foi andar na roda gigante sem adultos, foi e voltou sempre que quis.

No regresso a casa declarou: “Gostei muito de vir à Festa assim… De poder ir onde queria”

CATARINA: “É por essa sensação de liberdade que gosto tanto de cá vir… Ainda sinto isso!”

TOMÉ: “Faz sentido, Catarina… É a Liberdade que se comemora aqui!”

Vamos a isto!

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Foi um ano louco, cheio de novidades e aprendizagens.

Respirámos, pensámos, mexemos o corpo, meditámos, parámos, rimos e brincámos.

As aulas de Playoga permitiram-nos crescer enquanto grupo e família.

Com o novo ano lectivo, mais aprendizagens se acercam…

Vamos a isto!

Viagens

Este nosso amor tem sido uma viagem, Tomé… Desde o momento em que nasceste até hoje. Louco, feliz, amoroso, vivo!

A nossa Volta ao Mundo está combinada há anos e já não falta muito para acontecer, mas por enquanto vamos dando cada um as nossas voltas e regressando em amor.

E é este amor que me permite ir aos Açores em trabalho e deixar-te um recado assim:

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E no regresso ter uma resposta tua, ponto por ponto:

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Amanhã parto para a Índia, durante 15 dias. Esta é uma viagem minha, para mim. Parto com vontade de descobrir, de me descobrir… De aprender mais e mais… Simplesmente vou. Entregue à vida.

Quem sabe um dia iremos juntos?

 

 

Obediência vs. Cooperação

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Anda por aí a circular um texto pela net louvando a educação através da obediência… Até aqui tudo bem, que sou a favor da liberdade de expressão… O que me preocupou foi a quantidade de apoio que este texto recebeu.

O texto avança pelo medo: que a grande ameaça para a humanidade será, por não termos obrigado as crianças a pedir desculpa e a agradecer, termos médicos que não olham para a nossa cara quando formos velhinhos, adultos que estacionam nos lugares de deficientes, tipos execráveis no guichet das finanças… Então mas não existem já tantos adultos que se comportam assim? E esses não terão sido educados na obrigação de agradecer, beijar, pedir desculpa?

Na minha opinião são esses adultos desrespeitadores que darão exemplos de falta de respeito às crianças. Eu quero que o meu filho agradeça, peça desculpa, se preocupe com o outro porque é assim que ajo, porque é o exemplo que lhe dou.

É que há uma gigantesca diferença entre ensinar e aprender.